Resenha: Inimigos Públicos

Publicado: 29/07/2009 em Zineacesso
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29/07/2009

inimigos_publicos01Nesta última sexta-feira fui ver a estréia de Inimigos Públicos aqui em São Paulo e apesar de não ser uma apaixonada por filmes de gângster, fiquei bem satisfeita com o que vi. O que havia me chamado primeiramente ao cinema foram os nomes envolvidos no elenco principal e saí da sala surpreendida com o excelente filme.

Concordo quando leio em algumas críticas cinematográficas que denominam Michael Mann como um diretor autoral. Ele sem dúvida nenhuma sabe como narrar uma história bem elaborada e bem editada. Já havia sentido isso quando assisti Colateral e em Inimigos Públicos essa impressão é ainda mais ressaltada.

No filme vemos a ascensão de um dos maiores assaltantes a bancos da história, John Dillinger e também o início do FBI. John Dillinger tinha a simpatia da população e não era difícil para ele se esconder e encontrar aliados entre os cidadãos americanos. No entanto, quando J. Edgar Hoover, com o intuito de provar a importância dos serviços da corporação FBI, nomeia Melvin Purvis, como o agente de campo para perseguir os passos de Dillinger, tudo começa a mudar. Outro fator relevante para a mudança em sua trajetória é o romance que ele estabelece com Billie Frechette.

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Uma escolha de elenco primorosa nos apresenta um Johnny Depp impecável como nunca em sua versatilidade, sem as caras e bocas ainda mantém um tom sarcástico para Dillinger que o deixam carismático diante da platéia. Christian Bale, que a crítica sempre adora dizer que foi ofuscado por seus parceiros de cena, cumpre mais uma vez com integridade seu papel e nos apresenta um Melvin Purvis obstinado pela justiça; a cena entre os dois na cadeia é uma delícia de se ver. Dois dos atores que eu considero os melhores desta geração, apesar de terem estilos completamente diferentes na forma de abordar e criar personagens, juntos eles solidificam a história para entendermos estes homens fiéis as suas crenças. Completando o trio, Marion Cotillard, prova por A mais B o quanto foi merecedora do Oscar que ganhou por Piaf. Ela possui graça irresistível e talento suficiente para fazer de Billie Frechette uma mulher forte e apaixonada e uma das melhores cenas do filme se deve a sua incrível participação. Fora o elenco principal vemos participações pequenas de nomes como Billy Crudup, Giovanni Ribisi, Stephen Dorf, James Russo, Rory Cochrane, Shawn Hatosy, Lily Taylor, Emily de Ravin e Leelee Sobieski, figurinhas tarimbadas em alguns filmes e séries de TV.

Outra coisa que achei demais em Inimigos Públicos foi a luz do filme. Uma das cenas é quase que totalmente iluminada pelos fogos que rasgam das metralhadoras e armas dos personagens. É uma cena lindíssima de se ver e uma das melhores do filme, toda essa sequência da perseguição!

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Inimigos Públicos mantém um ritmo crescente que nos conduz durante suas 2 horas e meia de filme por um universo nada maniqueísta e isso é o mais intrigante na narrativa de Michael Mann. Algo difícil de acontecer, principalmente em filmes americanos, onde é quase inevitável vermos uma moral da história aos finais de filmes.

Por diversas vezes no decorrer do filme é possível dizer que todos tiveram seus motivos para fazer o que fizeram, mostrando que não há mocinhos ou bandidos e sim escolhas que podem nos levar para a estrada correta ou não. Entre os ladrões, há aqueles que como John Dillinger não acreditava na chacina como assinatura de suas contravenções, diferente de Baby Face Nelson que se divertia com suas armas e o poder que isso lhe implicava. Entre a polícia, há aqueles que para atingir o objetivo principal se utilizam da manipulação, da política e da violência como instrumentos de correção como J. Edgar Hoover e o agente Harold Heinecke. Já há outros que acreditam na correção pela justiça feita com obstinação, honestidade e bom senso, como Melvin Purvis. Não importa qual o meio de atuação, é possível agir da maneira correta, o que nos leva por esse caminho de sensatez, é única e exclusivamente nossas escolhas. São elas que determinam o percurso de nossas vidas, foram elas que determinaram as histórias destes personagens até o último momento.

Faço aqui um paralelo com o filme 3:10 to Yuma, pois em ambos os filmes a história termina mostrando o respeito que existe entre homens de palavras, um respeito pela crença uns dos outros naquilo que é louvável. Em 3:10 Yuma, Ben Wade (personagem de Russel Crowe) cumpre o dever de Dan Evans (Christian Bale), pois vê que Evans age fiel ao que acredita sem romper com sua dignidade. Um acordo de cavalheiros é mais importante do que o lado ao qual pertencem. Em Inimigos Públicos, quando o agente vai visitar Billie Frechette levando as últimas palavras de John Dillinger, este mesmo acordo é cumprido. Não acredito que hoje em dia esse tipo de atitude ainda exista, enfim.

Inimigos Públicos é recomendado!

Link original:

http://www.zineacesso.com/2009/07/29/resenha-inimigos-publicos/

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